MONÓLOGOS INESQUECÍVEIS DO CINEMA # 01: UM SONHO DE LIBERDADE

25/05/2014 20:14

 

    Certos monólogos são tão intensos e cheios de significados que se destacam justamente por sintetizar a história onde estão inseridos, transcendendo o limite da película e pousando no colo seguro de nosso imaginário, ganhando releituras toda vez que nós, espectadores, revisitamos tais filmes onde, volta e meia, sempre esperamos ansiosos pelo momento específico do filme em que tais trechos encontram-se. É um exercício contínuo de regozijo e dialética. E é aí que percebemos o quanto estes filmes são tão bons e eternos.

   Neste post, resolvi resgatar e transcrever um monólogo que particularmente julgo inesquecível, justamente por se enquadrar nesse enunciado acima:

   Red (Morgan Freeman), Um Sonho de Liberdade:

  "Regenerado? Bem, deixe-me ver. Não faço a mínima ideia do que isso significa. (...) Para mim, é uma palavra inventada. Uma palavra dos políticos para que jovens como você possam usar terno e gravata, e ter um emprego. O que quer realmente saber? Se estou arrependido do que fiz? Não há um único dia em que não me arrependa. Não porque estou aqui ou porque acham que eu deveria estar. Ao recordar do passado, vejo um jovem, um rapaz idiota que cometeu um crime horrível. Tento falar com ele. Tento passar um pouco de juízo pra ele. Ensinar como são as coisas. Mas não posso. Aquele garoto não existe mais. O que sobrou foi esse velho. Tenho de conviver com ele. Regenerado? Essa palavra não quer dizer nada. Carimbe logo seus formulários, filho, e não me faça perder mais tempo. Para ser sincero, estou pouco ligando".


  Este trecho do filme é para mim a principal cena do filme de Frank Darabont, pois traduz para o espectador o clímax de todo o arco-dramático do personagem de Morgan Freeman, que nesta cena parece compreender todo o trajeto emocional de Andy Dufresne (Tim Robbins) e o seu próprio. E isso é entendido de uma forma bem mais complexa se observarmos do que realmente se trata o monólogo pois, segundo Red, não importa seu arrependimento ou regeneração, o que passou, passou, e o pior castigo que uma pessoa como ele possa ter é a sua memória culpada e arrependida, martelando sem parar. Essa é a principal mensagem dessa cena!

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