OS MERCENÁRIOS 3

21/08/2014 23:08

 

        Cotação: 3/ 5

 

        Para quem vai ao cinema assistir a um filme como Os Mercenários 3, a intenção é óbvia: assistir uma história cujos personagens são um mosaico dos principais atores de filmes de ação hollywoodiano dos anos 80 e 90, pouco importando, neste sentido, a qualidade da história em curso ou se este ou aquele personagem apresenta um arco dramático particularmente complexo ou tocante. No final das contas, o que importa são as piadas autorreferenciais envolvendo os atores (sobretudo a idade destes) e, lógico, a quantidade de tiro, porrada e bombas espalhadas por todo o filme.

Escrito pelo próprio Sylverter Stallone ao lado de Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt, a partir de argumento concebido pelo próprio Stallone, o filme tem início quando Barney Ross (Stallone) e sua equipe invadem um trem em movimento à procura de um antigo mercenário, agora preso e indo em direção à uma fortaleza terrorista que, curiosamente, fica na direção exata dos trilhos do trem (e que já nos deixa antever exatamente no que isso vai dar, mas divago!). Depois de resgatado e reintegrado à equipe, Doc (Wesley Snipes) dirige-se com Barney, Christmas (Jason Statham), Gunner (Dolph Lundgren), Road (Randy Colture) e Caesar (Terry Crews) à outro ponto de ação a fim de impedir um traficante de armas de resgatar uma carga. Ocorre que o traficante em questão é Conrad Stonebanks (Mel Gibson), antigo desafeto de Barney e que, no processo, atira em Caesar, levando Barney a repensar seu trabalho, optando, por sugestão de um agente da CIA (Harrison Ford), por substituir sua antiga equipe por mercenários mais novos e com habilidades mais sofisticadas”.

Ocorre que, como disse anteriormente, quem vai ao cinema assistir Os Mercenários certamente não achará uma boa idéia substituir aquelas personas por personagens completamente desconhecido do público. Sim, é bacana que Thorn, Smilee, Mars e Luna  sejam personagens suficientemente carismáticos a ponto de terem seus momentos, mas o fato é que o que nos interessa nesta franquia é ver Stallone, Schwarzenegger, Ford, Gibson, Stathan, Lundgren, Li e Snipes interagindo e fazendo graça de si mesmos, e não tendo que se preocupar com uma penca de indivíduos desconhecidos cujo tempo reduzido de tela dificilmente despertará nosso interesse emocional.

Assim, todo o terceiro ato do filme, mesmo amarrado em sua ação e momentos de humor pontuais (a frase “É um bom plano, se fosse em 1985” é particularmente inspirada neste sentido), acaba por ser legado à segundo plano graças a falta de ligação afetiva com a nova equipe de Ross. Além disso, a caracterização de Antonio Bandeiras me incomodou em vários momentos, mais parecendo o cãozinho Dug, de Up, sobretudo por causa de sua agitação e carência de atenção. E se nos dois filmes anteriores a química entre Stallone e Statham garantiam bons momentos, dessa vez é a interessante interpretação de Wesley Snipes e Mel Gibson que chamam atenção. O primeiro rouba praticamente todo o primeiro ato e o segundo compõe um vilão digno dos melhores filmes do gênero.

Apresentando uma fotografia problemática em seus tons de cores lavadas, bem como uma montagem cujo ritmo oscila assustadoramente (no mau sentido) no terceiro ato, a direção de Patrick Hughes, mesmo falhando pontualmente aqui e ali, ao menos não compromete ou desperdiça o resultado final, que ganha força graças à escala monstruosa que adquire a batalha final, tendo a seu favor, é claro, o bom e velho clichê dos filmes de ação onde os mocinhos em  menor número sempre se mostrarão mais ágeis e eficientes do que o exército de vilões à sua frente. E o que dizer da cena onde todos se mostram desolados ao acharem que determinado personagem morreu em combate? Dou um doce para quem adivinhar o desfecho desta velha e batida cena.

Garantindo a diversão que promete, Os Mercenários 3 mesmo insistindo em tentar almejar certa “profundidade narrativa”, se realiza mesmo quando seus personagens entregam-se àquilo que são realmente bons. E isso não tem nada a ver com situações emocionais ou mesmo sequencias edificantes. O negócio é porrada mesmo, no bom e velho jeito de se fazer filme de ação em Hollywood. Afinal de contas, quem disse que todo filme do gênero tem que ser cerebral ou particularmente dramático? 

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